Com eleição de nova secretaria, Assembleia aprova encaminhamentos que fortalecem a atuação junto aos territórios pesqueiros e norteiam a caminhada rumo aos 60 anos de pastoral
Texto: Henrique Cavalheiro e Louise Campos / Comunicação do CPP, e João Palhares

Reunindo agentes de pastoral, pescadores e pescadoras artesanais, bispos, representantes de movimentos sociais e organizações parceiras de todo o país, a Assembleia Nacional do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) foi realizada entre os dias 3 e 7 de fevereiro, em Luziânia (GO), no Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O encontro teve como principais objetivos avaliar a caminhada pastoral do último triênio, analisar a conjuntura eclesial, social e política que incide sobre os territórios pesqueiros e definir as diretrizes que orientarão a atuação do CPP nos próximos três anos. A programação foi encerrada com a eleição do novo secretariado nacional, a aprovação de encaminhamentos estratégicos e a reafirmação do compromisso da pastoral com a defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos das águas.
A barca do CPP segue guiada pela escuta e pela fé
O momento eletivo do CPP foi vivido como um processo de discernimento coletivo, enraizado na espiritualidade das comunidades e na identidade pastoral construída nos territórios. Conduzido por Dom José Altevir, presidente do CPP, o tempo de oração e reflexão enfatizou a sinodalidade, a escuta e o discernimento, inspirados nos textos bíblicos, na mística das águas e nos ensinamentos do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, como fundamentos para escolhas responsáveis e para o caminhar da pastoral junto aos povos das águas.
“É momento de agradecer a caminhada realizada, avaliar os desafios enfrentados e fortalecer nosso compromisso profético diante das ameaças que recaem sobre as águas, os territórios e as comunidades tradicionais.“, Dom José Altevir, bispo da prelazia de Tefé/AM e presidente do CPP.
Ao final da contagem dos votos, a Assembleia elegeu o novo Secretariado Nacional do CPP para o ciclo que se encerrará em 2029, composto por Dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé (AM), na Presidência; Dom Evaldo Carvalho dos Santos, bispo da Diocese de Viana (MA), na Vice-presidência; Gilberto Lima na Secretaria-Executiva; Shirley Almeida na Secretaria de Economia Solidária; Luciano Galeno na Secretaria de Direitos e Organização; Marcos Brandão na Secretaria de Território e Meio Ambiente; e Isabel Silva como Ecônoma, consolidando uma direção marcada pelo compromisso com a organização comunitária, a espiritualidade das águas e a luta por direitos nos territórios, celebrada com falas e manifestações das pessoas eleitas.
Em mensagem dirigida à Assembleia, o novo vice-presidente do CPP, Dom Evaldo Carvalho, expressou surpresa e disponibilidade ao acolher a missão, reafirmando o compromisso de caminhar ao lado das comunidades pesqueiras e da direção nacional da pastoral. Em suas palavras:
“Manifesto minha disposição de caminhar com esta pastoral em espírito de sinodalidade para que nossos irmãos e irmãs pescadores e pescadoras tenham seus direitos respeitados e assegurados para que todos e todas tenham vida em abundância. Que Deus os abençoe, os anime e os fortaleça sempre mais no compromisso e testemunho profético como membros da Pastoral!”, disse o bispo.
Conjuntura, escuta e compromisso com o Bem Viver dos povos
A programação também foi composta pela leitura da conjuntura eclesial e política, retomando o Concílio Vaticano II, o projeto de renovação pastoral e os desafios atuais para uma Igreja comprometida com a justiça social. A análise foi conduzida pelo padre Mardonio Brito, agente de pastoral do CPP Maranhão e sacerdote da Diocese de Brejo (MA), e pelo padre Edinho Thomassim, assessor da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), que refletiram sobre as transformações do cenário eclesial e social contemporâneo e seus impactos no trabalho das pastorais sociais.

Outra mesa contou com contribuições do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), na figura da pescadora Ana Ilda Nogueira, que destacou as reivindicações das pescadoras e pescadores e a luta por direitos, ressaltando a relevância política desse debate, principalmente em ano eleitoral. Ayala Ferreira, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Lara Estevão da assessoria jurídica da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e representante do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNGH), também colaboraram com falas a respeito de como o modelo de produção vigente intensifica conflitos e violências contra os territórios de comunidades ligadas à terra, às florestas e às águas.
Diretrizes para o próximo triênio: presença, organização e compromisso com os territórios
Com a nova secretaria definida e após os debates de conjuntura, a Assembleia Nacional avançou na consolidação das diretrizes que irão orientar a atuação da pastoral no próximo triênio. As propostas foram construídas em Grupos de Trabalho e aprovadas em plenária, com foco na missão pastoral, no fortalecimento da presença nos territórios pesqueiros e na ampliação da incidência política e das articulações institucionais. A assembleia reafirmou o compromisso com as comunidades da pesca artesanal, priorizando o acompanhamento de base e a defesa dos povos das águas, em diálogo com outras organizações e pastorais alinhadas à justiça socioambiental e climática.

Entre os encaminhamentos centrais, destacou-se a necessidade de fortalecer os Regionais, com acompanhamentos mais sistemáticos e maior articulação com igrejas locais, movimentos da pesca artesanal e organizações populares. A comunicação foi reconhecida como eixo estratégico da ação pastoral, tanto como ferramenta de mobilização quanto de formação e memória.
A assembleia também debateu a sustentabilidade da pastoral, o fortalecimento de projetos, o incentivo a iniciativas da economia solidária e a valorização de produtos das comunidades pesqueiras. No campo da formação,um aprofundamento em temas como saúde mental, juventudes e a compreensão do território como corpo e extensão da Casa Comum. Os encaminhamentos reforçam a perspectiva de uma pastoral enraizada nos territórios, com organização, cuidado e compromisso com a vida e a autonomia das comunidades.
60 anos do CPP
Para fechar o evento, a plenária levou seu olhar para a celebração dos 60 anos da pastoral, que acontecerá em 2028. O aniversário é compreendido não apenas como uma data festiva, mas como um marco pastoral e político capaz de reafirmar, interna e publicamente, a identidade e valores da organização. A reflexão destacou que o processo comemorativo deve ser construído com capilaridade, em diálogo com pescadoras e pescadores artesanais e demais pessoas que caminharam ao lado do CPP, alimentando a mística e o compromisso com a defesa da vida e dos territórios das águas.
Com essas definições, a Assembleia Nacional do CPP 2026 encerrou seus trabalhos reafirmando o compromisso da pastoral com a vida, os territórios e os povos das águas, projetando um novo triênio marcado pela organização coletiva, pela fé encarnada e pela esperança ativa que nasce do caminhar juntos e juntas.
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