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CPP participa de encontro “Igreja Católica Pós-COP 30” e reforça defesa da justiça climática e da ecologia integral

Evento reuniu em Brasília lideranças da Igreja e organizações aliadas para dar continuidade à articulação Igreja Rumo à COP 30, com foco no debate socioambiental e no cuidado com a Casa Comum

17-03-2026
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Texto: Henrique Cavalheiro - comunicação do CPP com informações da Igreja Católica na COP | Fotos: Fotos: Ricieri Benedetti.

Foto: Ricieri Benedetti

Entre os dias 13 e 15 de março de 2026, foi realizado, na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF), o encontro “Igreja Católica Pós-COP 30: Articulação por Ecologia Integral e Justiça Climática”. A iniciativa reuniu representantes dos regionais da Igreja no Brasil, organizações e redes eclesiais, com o objetivo de consolidar os encaminhamentos do processo rumo à COP 30 e fortalecer sua continuidade nos territórios.

O Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) também esteve presente no encontro, representado por Andrea Rocha, secretária de Território e Meio Ambiente em transição. O CPP acompanha essa iniciativa desde seu início e participou ativamente das discussões e ações da Igreja rumo à COP 30, mantendo-se, agora, engajado nos desdobramentos do processo. A participação reafirma o compromisso de incidência para que os povos das águas sejam reconhecidos e contemplados no debate sobre ecologia integral e justiça climática, especialmente diante dos impactos já vivenciados por essas comunidades em decorrência dos desequilíbrios climáticos.

Além disso, o CPP denuncia que comunidades pesqueiras têm sido, reiteradamente, tratadas como zonas de sacrifício para a implementação de grandes empreendimentos, inclusive de iniciativas de produção energética classificadas como sustentáveis, mas que, na prática, não respeitam a autonomia, os territórios e a segurança desses povos.

Andrea Rocha destacou que o encontro foi “um momento muito rico de mística, espiritualidade, encontro, afetividade, de avaliação de todo o trabalho, toda a trajetória da Igreja através da articulação por justiça climática e ecologia integral”. Segundo ela, também foi “um momento que proporcionou a gente avaliar coletivamente a dimensão, a riqueza, a beleza de tudo que a Igreja rumo a COP30 conseguiu fazer, mobilizar”, reforçando que, diante desse processo, “foi reafirmada a importância de continuar com essas iniciativas, com essas ações, em torno da defesa, do cuidado, da casa comum, dos territórios tradicionais, né, da vida em todas as suas dimensões, dos seres humanos, do meio ambiente, de toda a natureza”.

O CPP participou desde os níveis regional e nacional até a atuação “no processo pré, durante a nossa participação na cúpula dos povos, e agora pós também continua sendo muito relevante”. Ela acrescentou que o encontro deixa os participantes “animados, fortalecidos pela experiência que foi, e motivados a continuar o processo de trabalho, de atuação, de luta”, especialmente “em defesa dos territórios tradicionais pesqueiros e dos povos originários, de todas as comunidades tradicionais, e em defesa da vida, em defesa e cuidando da nossa casa comum”.

Espiritualidade, memória e incidência marcam a programação do encontro

A programação foi construída de forma a articular espiritualidade, memória, análise crítica e construção coletiva. O encontro teve início com uma celebração conduzida pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), evocando o cuidado com a criação, o pedido de perdão pelos danos à Casa Comum e o compromisso com a esperança.

No sábado (14), eixo central do encontro, destacou-se a memória do caminho da Articulação Igreja Rumo à COP 30, evidenciando um processo que conectou diferentes redes e mobilizou territórios em todo o país e processos de incidência que conduziram à Mensagem das Conferências e Conselhos Episcopais Católicos da África, América Latina e Caribe e Ásia por ocasião da COP 30. 

Na sequência, o Painel 1 – “Do evento à ação: caminhos do pós-COP 30 a partir de Belém”, mediado pelo Pe. Tiago Ávila Camargo, subsecretário adjunto de pastoral da CNBB, contou com a participação de Dom Jaime Spengler (CNBB/CELAM), André Corrêa do Lago (presidente da COP30), Stela Herschmann (Observatório do Clima) e César Piscoya (CELAM). As reflexões destacaram que a COP 30 deve ser compreendida como um processo contínuo, apontando avanços, limites e a necessidade de fortalecer compromissos políticos, éticos e sociais no enfrentamento da crise climática.

No período da tarde, o Painel 2 – “A presença sinodal da Igreja no caminho da COP 30” reuniu Valquíria Lima (Cáritas Brasileira), Leon Souza (Casa Galileia), Isabel Pereira (ISER), Dom Vicente de Paula Ferreira (CEEM/CNBB), Ir. Maria Irene Lopes dos Santos e Joana Menezes (REPAM-Brasil) O painel apresentou uma leitura avaliativa do processo vivido pela Igreja, destacando avanços na mobilização, formação, incidência política e diálogo inter-religioso, além dos desafios relacionados à comunicação, ao engajamento das bases e à continuidade das ações.

Encontro projeta caminhos e compromissos para o pós-COP 30

O encontro também contou com a presença de Martina Giacomel, oficial do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, que acompanhou as atividades com o objetivo de escutar lideranças e compreender como o processo de articulação da Igreja rumo à COP 30 foi desenvolvido nos territórios, contribuindo para o diálogo a partir da experiência da Santa Sé nas Conferências do Clima e reforçando a importância da presença da Igreja nos espaços internacionais de incidência socioambiental.

Entre os dados apresentados, destacaram-se a ampla mobilização social no processo rumo à COP, incluindo iniciativas como a Cúpula dos Povos, o Tapiri Inter Religioso e Ecumênico a Marcha pelo Clima e a participação de diferentes redes, organizações e territórios. 

No domingo (15), o Painel 3 – “Horizontes da atuação da Igreja Católica no pós-COP30” contou com a contribuição do Cardeal Leonardo Steiner, que provocou os participantes a refletirem sobre a necessidade de uma mudança de paradigma na relação com a natureza, superando modelos de desenvolvimento baseados na exploração e fortalecendo uma ecologia integral.

Ao longo do encontro, os participantes também se organizaram em grupos por macrorregião, identificando avanços, desafios e prioridades para a continuidade da atuação nos territórios. Entre os principais encaminhamentos, destacam-se o fortalecimento das comissões de ecologia integral, o investimento em formação e letramento climático, a ampliação da incidência política e o fortalecimento das redes e da comunicação.

Marcado pelas dimensões espiritual, simbólica e sinodal, o encontro reafirmou que a COP 30 não se encerra em si mesma, mas exige continuidade. Ao final, os participantes foram enviados por Dom Ricardo Hoepers, secretário geral da CNBB, com o compromisso de fortalecer processos que integrem fé, justiça climática e cuidado com a Casa Comum.

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